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Parashá da semana: Bereshit

Shabat Shalom.

O Equilíbrio da Criação

בְּרֵאשִׁ֖ית בָּרָ֣א אֱלֹהִ֑ים אֵ֥ת הַשָּׁמַ֖יִם וְאֵ֥ת הָאָֽרֶץ׃

A parashá desta semana, Bereshit, abre a Torá com a história da criação. O primeiro versículo (Bereshit 1:1) descreve o ato inicial de D's, usando o nome Elokim. Rashi (Bereshit 1:1) explica que, inicialmente, D's pretendia criar o mundo unicamente com o atributo de justiça estrita, a Middat HaDin, representada pelo nome Elokim. No entanto, Ele viu que o mundo não poderia subsistir dessa forma. Portanto, Ele precedeu a justiça com o atributo da misericórdia, a Middat HaRachamim, e combinou os dois. É por isso que mais tarde a Torá usa o nome Hashem Elokim (Bereshit 2:4), unindo misericórdia e justiça. Este equilíbrio fundamental não é apenas o alicerce da criação, mas também o paradigma para toda a existência humana, que oscila entre o julgamento e a compaixão.

O Teste e a Resposta

Este tema da interação entre justiça e misericórdia atinge seu clímax na história da Akedat Yitzhak, a Amarração de Yitzhak. Embora a narrativa completa apareça mais tarde no livro de Bereshit, seu fundamento espiritual está estabelecido aqui, na própria natureza da criação. No teste da Akedá (Bereshit 22:1-19), Avraham Avinu é confrontado com uma ordem que parece ser a manifestação mais pura e incompreensível da Middat HaDin: o sacrifício de seu próprio filho. No entanto, no último momento, um anjo de D's intervém, revelando a Middat HaRachamim subjacente. A fé inabalável de Avraham em face do julgamento absoluto teve o poder de evocar uma misericórdia oculta.

O Mérito do Shofar

A conexão entre a criação, a Akedá e a nossa própria vida é esclarecida na Massechet Rosh Hashaná 16a. Lá, é ensinado que Hashem disse a Avraham que, no futuro, quando seus descendentes pecassem, Ele os julgaria em Rosh Hashaná. No entanto, se eles quisessem que o mérito da Akedat Yitzhak fosse lembrado a seu favor, deveriam tocar o shofar de um carneiro diante d'Ele. O carneiro, é claro, foi o substituto de Yitzhak no altar (Bereshit 22:13). O toque do shofar, portanto, não é um som arbitrário; é um ato que invoca o momento em que a justiça mais severa foi transformada em misericórdia suprema. Ele nos conecta ao mérito de Avraham e à promessa de que a teshuvá (arrependimento) pode transformar o julgamento em perdão.

Lição Prática

A lição para nós é profunda e prática. A vida, assim como a própria criação, é uma mistura de Din e Rachamim. Enfrentamos momentos que parecem ser de puro julgamento, desafios que testam a nossa fé até ao limite. Nestes tempos, não devemos desesperar. Devemos lembrar que, tal como na criação e na Akedá, a misericórdia está sempre presente, mesmo que oculta. O toque do shofar ensina-nos que temos um papel ativo a desempenhar. Através da nossa teshuvá, da nossa oração e do nosso compromisso em regressar a D's, podemos transformar o julgamento em compaixão. Quando confrontados com as dificuldades da vida, podemos invocar o mérito dos nossos antepassados e, através dos nossos próprios esforços, despertar a misericórdia que está no coração da criação.

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